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  A Parábola do Fariseu e do Publicano

 21/06/2016 

 
  Lc. 18.9-14    
 


Int.-
Essa parábola trata do pecado do orgulho e seus males. Jesus proferiu três parábolas relacionadas com a oração. Esta é uma delas. As outras duas são: O amigo importuno e o juiz iníquo. O fariseu da parábola tinha religião e religiosidade, mas voltou vazio do templo, porque tudo quanto ele apresentava era mera aparência, estando seu coração tão somente cheio de orgulho e de autojustiça. Ele apenas parecia justo diante dos outros, mas no seu coração nem amava a Deus, nem ao próximo. Estamos diante de três grandes contrastes: de pessoas, de orações e de respostas.

I- Diferenças de Pessoas.

1- Quem Eram os Fariseus?

- Os fariseus eram uma seita religiosa judaica.

- Surgiram na segunda metade do Período Interbíblico, entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento.

- Os fariseus eram legalistas, formalistas e hipócritas, dando mais valor à tradição do que às Sagradas Escrituras.

- Os fariseus acreditavam que era importante a observância de todas as leis de Deus, as quais ensinavam ser uma total de 613.

- Jesus repreendeu severamente os fariseus na sua religiosidade.

Mt. 23.13: Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando.

2- Quem Eram os Publicanos?

- Eram cobradores de impostos.

- Eram odiados e tidos como traidores porque trabalhavam para a nação de Roma que ocupava a terra dos judeus.

- O termo publicano vem do latim ”publicum”, que significa “tesouro nacional”, pois o seu trabalho estava ligado à renda pública.

- Geralmente eles extorquiam dinheiro, cobrando a mais, e aceitavam suborno dos ricos.

Lc. 3.12,13: E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?

      E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado.    

- Os publicanos eram classificados juntamente com os pecadores; com as meretrizes; e com os gentios que não conhecem a Deus.

- Eram ainda tidos como impuros porque estavam sempre em contato com gentios.

- O V. 9 descreve em resumo o estado interior do fariseu, que nada discernia por estar cego pelo orgulho.

a) Confiava em si mesmo. (V.9)

- O erro de confiar em coisas fracas.

- O nosso eu é uma dessas coisas fracas.

- Outras coisas fracas em que não devemos confiar:

1) Riquezas.

Mc. 10.24: E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!

2) Homens.

Jr. 17.5: Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!

3) Muros.

Dt. 28.52: E te angustiará em todas as tuas portas, até que venham a cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas em toda a tua terra; e te angustiará até em todas as tuas portas, em toda a tua terra, que te tem dado o Senhor, teu Deus.

4) Carros e Cavalos.

Sl. 20.7: Uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus.

5) Palavras falsas.

Jr. 7.8: Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas.

6) Formosura.

Ez. 16.15: Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele.

7) Armadura humana.

Lc. 11.22: Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava e reparte os seus despojos.

b) Crendo que eram justos. (V.9)

- O fariseu alimentava uma falsa fé quanto à justiça.

c) Desprezavam os outros. (V.9)

- Os outros que não pareciam justos como eles, a seus próprios olhos, eram tidos como pecadores.

II- A Oração do Fariseu.

a) Sua Postura na Oração.

V. 11: Estando em pé.

- O publicano também orou nesta posição, mas há uma diferença entre eles.

- O verbo é o mesmo (no original), mas empregado de modo diferente.

- O fariseu estava em pé, mas de modo soberbo, exibicionista e denotando superioridade.

- Já o publicano, não. O mesmo verbo indica que ele estava compenetrado como que examinando-se a si mesmo.

b) O Conteúdo da Oração do Fariseu.

V. 11: O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graça te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.

V. 12: Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo.

- Isso revelou o seu caráter.

- A oração também é uma revelação do crente.

- Quando o fariseu diz “graças te dou”, ele agradece a Deus por não como os demais homens; isso significa que ele atribuía a Deus a sua maneira hipócrita de ser.

- Quando o fariseu presta um relatório dos outros a Deus, ele está desprezando o seu próximo, com seu orgulho pessoal.

- O fariseu jejuava por formalidade e não por necessidade.

III- A Oração do Publicano.

a) Estando em pé. (V.13)

- A construção verbal no original denota atitude humilde, sem qualquer ostentação.

b) De longe. (V.13)

- Longe do templo propriamente dito.

- No templo mesmo só entravam os sacerdotes para lá ministrar.

- Em volta do templo havia várias áreas chamadas átrios, onde ficava o povo.

- O publicano prostrou-se na extremidade desse átrio, próximo ao templo, reconhecendo a indignidade de aproximar-se do santo lugar.

c) Nem ainda queria levantar os olhos aos céus. (V.13)

- Isto é indício de vergonha.

- Vergonha dos seus pecados contra Deus e sua lei.

d) Batia no peito. (V.13)

- O publicano, de tão convicto, vendo que suas palavras não eram suficientes para expressar o seu arrependimento, batia no peito, mostrando que sua oração partia de um coração quebrantado.

- Bater no peito fala de lamento, pesar, aflição.

e) Três elementos importantes na oração do publicano. (V.13)

1- Invocação a Deus: “O Deus”

- O fariseu não se dirigiu a Deus, ele orava consigo.

2) Suplica a Deus: “Tem misericórdia de mim”.

- O publicano clama por misericórdia diante de Deus.

3) Reconhece-se como um pecador.

- O publicano reconhecia a sua incapacidade de estar na presença de Deus, e reconhecia as suas faltas e pecados.

IV- Diferenças de Respostas.

- Os dois subiram juntos ao templo.

- Quem vai ao templo está subindo de uma maneira ou de outra.

- Devemos ir à casa do Senhor, isso sempre nos fará bem.

- Os dois desceram juntos, mas agora havia uma diferença.

- Um desceu justificado; o outro desceu com os seus antigos pecados.

- Justificar, conforme as Escrituras é mais do que perdoar; é declarar justo diante de Deus.

- Esta é a boa nova do Evangelho, que mediante a fé, a justiça de Deus é nos transferida e somos justificados.

Conclusão: Lições da Parábola

1- Ter uma religiosidade não significa que agradamos a Deus.

- Esta parábola mostra claramente que a religiosidade que ostentamos em nossa vida não significa nada para Deus se não brotar de um coração sincero e se não for de acordo com a vontade dele.

2- O Orgulho religioso mata nossa vida com Deus.

- O fariseu mostrou o quanto estava distante de Deus quando exaltou suas próprias obras como sendo, na visão dele, o motivo de Deus o aceitar em sua presença. Porém, ele apenas mostrou o quanto adorava a si mesmo e não a Deus.

3- Ter uma visão bíblica de si mesmo é a chave para agradarmos a Deus.

- O publicano, apesar de não ser um atuante religioso, foi até a presença de Deus com uma visão bíblica de si mesmo e de sua situação.

4- Nem tudo que parece é.

- O ensino da parábola se torna muito profundo quando destrói os julgamentos que as pessoas fazem baseadas na aparência das pessoas.

- O fariseu aparentemente era justo e visto com alta consideração por muitos, mas seu coração hipócrita estava diante de Deus.

- Ele viva sob uma capa de hipocrisia, ostentando algo que não vivia de verdade.

- Já o publicano era visto como o pior dos pecadores, e alguns nem mesmo aceitavam a sua presença buscando a Deus, considerando-o impuro demais para ter conserto.

- Porém, ele se tornou o justo da história.

Jesus nos deixa quatro lições importantes com essa parábola:

a) Religiosidade não significa nada para Deus se não brotar de um coração sincero de acordo com a vontade dele.

b) O orgulho acaba com a nossa vida espiritual.

c) Reconhecer que somos pecadores indignos é a chave para agradarmos a Deus.

d) Deus não vê aparência. Ele vê o coração.

      O fariseu, que aparentemente era justo, tinha uma capa de egocentrismo e hipocrisia em seu coração. Enquanto isso, o cobrador de impostos, se via como o pior dos pecadores e agradou a Deus com a sua sinceridade e humildade.

 

 

 

 

 
       
 

Pr. Silvano Doblinski
Presidente da Igreja Assembleia de Deus
do Jabaquara em São Paulo - Brasil







 

 
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